Porém, além deste entendimento
claro e específico, acredito que,
assim como toda porção profética
da Palavra de Deus, temos algo mais a aprender
neste ensino.
Jesus falou sobre uma perda que aconteceu
dentro de casa, e quero fazer uma aplicação
espiritual disto para nossos lares e casas.
Alguns podem achar que estamos apenas “espiritualizando”
um texto fora de seu contexto, mas a visão
bíblica dá suporte a este
tipo de interpretação, desde
que se harmonize com o restante dos princípios
explícitos das Escrituras Sagradas.
Valores perdidos
Esta mulher não perdeu a moeda na
rua, mas dentro de casa, sem sequer ter
saído de lá. A moeda, um denário,
tinha mais valor do que a idéia que
passa na nossa mente quando pensamos em
uma moeda. Era a paga por um dia inteiro
de trabalho de um trabalhador normal.
E esta perda de algo valioso dentro de
casa, me fala de outros valores (não
materiais) que muitas vezes perdemos dentro
de casa.
Sei por experiência própria,
como marido, como pai e também como
filho, que muitos valores que devemos guardar
dentro de casa, no convívio com nossos
familiares podem ser comprometidos.
Falo de valores emocionais como: o respeito,
o carinho, o amor, a paciência, a
compreensão, a dedicação,
o serviço, a harmonia, a paz, a doação
de si mesmo etc.
Falo também de valores espirituais
como: a oração, o devocional,
a fé, o temor de Deus, a meditação
na Palavra, e outros.
Muitas pessoas acham que para sofrer perdas
em seus lares é necessário
muita interferência ou pecados externos,
mas digo que não.
Quando pensamos somente na moeda em si,
imaginamos algo fácil de se perder
e permanecer escondido em algum canto da
casa. Quem já não perdeu algo
em casa?
O termo “moeda” não
nos faz perceber a dimensão da perda.
Na verdade, tratava-se de um décimo
de tudo o que a mulher tinha!
Este paradoxo também se dá
com muitos dos valores que perdemos em nosso
lar. Aparentemente trata-se apenas de “uma
moeda”, mas vale bem mais do que o
que só aparenta!
O processo de recuperação
da moeda por parte desta mulher, envolveu
5 atitudes que vejo como sendo a forma de
reencontramos nossos valores perdidos.
Acendendo a Candeia
O Texto Sagrado revela que a mulher acendeu
a candeia. Ela buscou mais luz porque havia
falta dela... e não há como
procurar algo no escuro. Acredito que este
é um paralelo espiritual de algo
que precisamos para reencontrar qualquer
tipo de valor perdido, não só
em nosso lar como também em nossa
vida em Deus. Que luz é esta que
nos auxilia nesta busca? É a ação
reveladora do Espírito Santo. Trazer
à luz é expor o que estava
oculto.
Paulo falou aos coríntios sobre
examinar-se a si mesmo. Mas creio em mais
do que um auto-exame nas horas de concerto.
Creio que precisamos nos aquietar perante
o Senhor e deixá-lo falar em nosso
íntimo pelo Espírito Santo...
Varrendo a ‘casa’
Aquela casa necessitava de limpeza. A sujeira
que estava lá naquele chão
podia esconder a moeda. Não sabemos
porque havia sujeira, talvez aquela mulher
tenha deixado a janela aberta e um ‘pé
de vento’ trouxe sujeira para dentro
de casa.
O mesmo acontece conosco. muitas vezes
nos expomos demais a este mundo e permitimos
que seus conceitos entrem em nossa casa
e coração. Às vezes
pela TV, ou por meio de não-crentes
com quem convivemos... mas o fato é
que quando a sujeita do mundo entra, encobre
e esconde de nós aquilo que temos
perdido. Se quisermos reencontrar valores,
precisamos nos livrar da sujeira que entrou!
Procurando com diligência
Aquela mulher procurou com diligência
seu valor perdido. Tem crente que chora
no apelo, mas depois não dá
um passo para alcançar aquilo que
perdeu em sua vida espiritual ou familiar.
A mulher da nossa história empreendeu
uma busca diligente, dedicada. Isto fala
de disposição de concerto.
Deus não dá nada para quem
não valoriza. Por meio do profeta
Isaías ele disse: “Derramarei
água sobre o sedento” (Is.
44.3).
Por que Deus só derrama água
sobre o sedento? Por que não sobre
qualquer um? Ele dá água para
quem valoriza a água, para quem vai
aproveitá-la!
Jesus nos ensinou a não lançar
pérolas aos porcos. Quem não
valoriza, não merece receber. Se
quisermos algum tipo de restauração
em nossa vida em Deus ou em nosso lar, temos
que nos empenhar nisto!
Até encontrar
A mulher não apenas foi diligente,
como também foi perseverante. A parábola
nos revela que ela não parou de buscar
enquanto não encontrou aquilo que
havia perdido.
Enquanto a diligência tem a ver com
a “qualidade” da busca, a perseverança
tem a ver com a “duração”
da busca.
Normalmente, falamos de se alcançar
a nossa herança em Deus por meio
da fé. É lógico que
sem fé é impossível
agradar a Deus, e o que duvida não
receberá coisa alguma, mas há
algo que acompanha a fé e que, normalmente,
não percebemos o quanto tem a ver
com possuir a herança: a perseverança.
As Escrituras nos ensinam que precisamos
tanto da perseverança quanto da fé:
“Para que não vos torneis indolentes,
mas imitadores daqueles que, pela fé
e pela perseverança, herdam as promessas.”
(Hb. 6.12.)
Algumas versões usam aqui o termo
paciência, mas fala a mesma coisa.
fala de determinação até
que se chegue ao alvo.
Precisamos desta firmeza na busca da restauração
dos valores perdidos no lar. A família
tem um lugar muito especial no coração
de Deus, e ele deseja que vivamos o seu
melhor, inclusive nesta área.
As três parábolas de Lucas
15 nos mostram que não devemos nos
conformar com as perdas. É hora de
empenho, de dedicação, de
determinação nesta restauração.
Alegria pública
Assim que reencontrou o que havia perdido,
a mulher reuniu suas amigas e vizinhas para
se alegrarem.
O testemunho de restauração
sempre animará outras pessoas, especialmente
aquelas que estão iniciando a sua
busca.
Tudo o que Deus nos dá deve ser
dividido com outros. Paulo declarou o seguinte:
“É ele que nos conforta em
toda a nossa tribulação, para
podermos consolar os que estiverem em qualquer
angústia, com a consolação
com que nós mesmos somos contemplados
por Deus.” (2Co. 1.4.)
Quando Jesus libertou aquele endemoninhado
gadareno, este lhe pediu que o pudesse acompanhar.
A resposta de Jesus reforça o que
estamos dizendo: “Jesus, porém,
não lho permitiu, mas ordenou-lhe:
Vai para tua casa, para os teus. Anuncia-lhes
tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão
de ti. Então, ele foi e começou
a proclamar em Decápolis tudo o que
Jesus lhe fizera; e todos se admiravam.”
(Mc. 5.19-20.)
Este homem recebeu a comissão de
dividir com outros o que Deus nos fez. Este
é um princípio do Reino que
deveríamos levar mais a sério.
A mulher samaritana que se encontrou com
Jesus junto ao poço de Jacó
teve a mesma atitude: “Muitos samaritanos
daquela cidade creram nele, em virtude do
testemunho da mulher, que anunciara: Ele
me disse tudo quanto tenho feito.”
(João 4.39.)
Assim que você resgatar aquilo que
se havia perdido, estará debaixo
da comissão de torná-lo público.
Não apenas como um motivo de se alegrar,
mas principalmente o de levar regozijo aos
outros, especialmente os que possuem as
mesmas necessidades que você tinha.
fonte: Lagoinha.com